Rapaziada,
Estamos de férias. Pode até ser que passemos por aqui para postar e contar alguma novidade, se der saudade, mas vai ser raro. Bom Natal, um grande 2009 e, em janeiro, voltamos e conquistamos o mundo.
até
Rapaziada,
Estamos de férias. Pode até ser que passemos por aqui para postar e contar alguma novidade, se der saudade, mas vai ser raro. Bom Natal, um grande 2009 e, em janeiro, voltamos e conquistamos o mundo.
até
Estamos em uma etapa extremamente apreensiva do projeto. Todos os dias eu acordo pensando “e agora?”. Só nos resta descansar, organizar as idéias, deixar que elas fervilhem um pouco e torcer pelo melhor ( = aprovação do projeto pela diretoria lá da Abril).
Enquanto isso, vocês podem conferir uma pequena mostra do que a gente aprendeu no último mês:
* É, o audio tá ruim. Devo colocar legendas nas falas?
Há exatamente uma semana, fizemos a última entrevista da nossa viagem, no Rio de Janeiro. O cara era Ronaldo Lemos, pesquisador da FGV, e conversar com ele foi sensacional. Resumiu boa parte dos papos que tivemos Brasil afora. Ou ele nos espionou o tempo todo e combinou secretamente com todas as pessoas com quem a gente conversou (hum… daria um trabalho…), ou de fato o mundo está convergindo para uma certa direção: a da CULTURA LIVRE. É incrível como, durante esse mês, ouvimos tanta gente falando em liberdade. E para continuar no assunto, segue a dica do livro do Ronaldo Lemos, “Direito, Tecnologia e Cultura”, editado em 2005 pela Editora FGV. Foi licenciado em Creative Commons, claro. E pode ser baixado no Overmundo. Vale a pena também assistir alguma palestra do Ronaldo no YouTube. Tem uma no Google de mais de 50 minutos, sobre produção cultural e liberdade no Brasil. E tem essa aqui, mais curtinha. Olha aí qual é a primeira coisa sobre a qual ele queria falar:
p.s.: estou aqui no processo de rever nossas filmagens e em breve prometo “youtubar” alguns trechos de conversas que tivemos com caras como esse moço aí. Aguardem!

Todo mundo sabe que HQs – no celular, no iPod, no iPhone, na web e no bom e velho papel – são uma obsessão japonesa. E a verdade é que, até mesmo no Japão, nenhuma outra mídia conseguiu (ainda) substituir as revistas de antologia e os mangás em volumes encadernados.
A Weekly Shonen Jump, que completou 40 anos este ano, é a revista-mix mais famosa por lá, e é bem provável que seja a maior e mais importante publicação de quadrinhos do mundo. No seu auge, nos anos 90, a revista chegou a ter uma tiragem de 6 milhões de exemplares. Não, sério mesmo.
Antologias são a base do mercado de mangás no Japão. A maioria deles primeiro é serializada em pequenos capítulos semanais em publicações como a Shonen Jump, e só depois ganham versões encadernadas como as que saem no Brasil. Atualmente a Jump tem 20 títulos diferentes, incluindo alguns favoritos do ocidente, como One Piece, Bleach e Naruto. Séries históricas como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X e Slam Dunk já passaram pelas páginas da Jump, que até hoje mantém a espessura de uma lista telefônica, as páginas P&B em papel jornal e o custo-benefício absolutamente sem comparação.
Hoje a circulação da Jump está perto dos 3 milhões, bem menos do que em sua época áurea. Em 2002, a revista ganhou uma versão para o mercado norte-americano, lançada com enorme sucesso e que hoje mantém uma circulação cerca de 215 mil exemplares.
Mas por que diabos eu to falando de antologias de mangá aqui? Bom. Tem um bom motivo, e não é só o fato de que um dos meus sonhos secretos sempre foi editar uma versão brasileira da Jump, já que não tem nada parecido com mangá por aqui (pouco pretensioso). O formato de antologia não é estranho para o mercado brasileiro, vide a Pixel Magazine (que infelizmente pode estar com os dias contados) e a finada revista Vertigo, um dos títulos mais legais e admirados pelos fãs de HQs, que a própria Abril lançou por aqui nos anos 90 (a Abril já foi cool!).
Entre os indies, então, antologias são quase regra. Algumas dos melhores artistas nacionais publicam na Front, na Jukebox, na Graffiti e na Ragú, cujo QG nós visitamos lá em Recife. Mas as antologias brasileiras dificilmente trazem histórias serializadas, até porque a periodicidade (bimestral, trimestral, publica quando dá) não permite.
A pergunta, afinal, é a seguinte: será que uma revista mensal de grande circulação, como a que nós do Projeto Secreto queremos criar, poderia abrir espaço para quadrinhos serializados e, guardadas as proporções, assumir o papel de uma mini-Shonen Jump brasileira?
Terceira tirinha surrupiada do André Dahmer em uma semana. Já estou vendo o advogado dele esfregando as mãos de excitação.

Viagem terminada, o que acontece com este blog?
Continua, é claro. A viagem nada mais era que uma pesquisa inicial que apontasse um norte para o nosso projeto. Já temos um norte. Nossa missão na Terra é:
Empurrar o mundo na direção de uma cultura mais livre.
“Empurrar na direção de” porque ninguém mais faz as coisas acontecerem sozinho. O máximo que dá para fazer é dar uma mãozinha. É colaborar. Colaboração, aliás, vai ser um conceito chave aqui.
“O mundo” porque ele está mudando, de um jeito quase cataclísmico. Olhe à sua volta: as tempestades, o crash da Bolsa, a eleição de Obama, a internet, o surto de criatividade jovem. Tudo está mudando, do clima à economia à arte à juventude. Neste processo de mudança tem um país que vai ter um papel chave: o Brasil. Muitas das respostas de que o mundo precisa virão daqui, até porque temos experiência com esse negócio de crise.
“Cultura” porque, nesse processo de mudança, o que vai mudar mais profundamente é o nosso jeito de pensar. A cultura humana precisa ser reinventada.
“Livre” porque é o que todo mundo quer: liberdade, independência. Chega de engravatados me vigiando. Queremos criar. Queremos inovar. Queremos fazer aquilo que queremos. E ninguém tem nada a ver com isso.
Nos próximos dias conto um pouco sobre nossa estratégia para atingir esse objetivo.
Acordei de ressaca de poeira. Ressaca de conversa. Ressaca de estrada. Acordei nesta quinta-feira com a cabeça tão cheia de idéias que dá preguiça de pensar. 30 dias, sendo 1 de folga. Nos outros 29, entrevistas uma atrás da outra, saídas para fotografar, cafés da manhã, almoços e jantares com convidados, botecos com bloquinho na mão e câmera no pescoço. Bom voltar para casa e passar um dia digerindo e ganhando carinho da Joaninha. Hehe.
Galera, obrigado a todos. Ao André, à Gi e ao Duda, por terem mergulhado nessa história até o fundo e por terem respirado o projeto por um mês, sem descanso. À Brenda e à Helena, minhas chefas na Abril, por apostarem. A todo mundo com quem nos encontramos por, SEM EXCEÇÃO, ter nos recebido com coração aberto e vontade de trocar idéias. A todo mundo que veio aqui neste blog, por nos manter em contato com o mundo e sugerir caminhos que percorremos sempre com bons resultados.
Isso está só começando.
Por um mês comemos poeira na estrada. Visitamos escritórios, apartamentos, museus, redações, um centro budista, uma comunidade científico-ambientalista, universidades e bares, muitos bares. Ouvimos todo tipo de sotaque, visitamos 9 estados, dormimos em albergues, pulgueiros deprimentes e alguns hotéis bem decentes. Comemos lula a dorê, raviolli com picanha, arroz de pequi, macaxeira com carne de sol, sanduíche de mortadela, filé a osvaldo aranha, kebab, kibeirute e testículos de peru. Passamos tempo em 10 cidades – Floripa, Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Campo Grande, Goiânia, Pirenópolis, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro – e saímos de cada uma delas, sem exceção, com a sensação de que alguma coisa grande está acontecendo por lá. Rodamos 7.000 quilômetros de carro e falamos com tanta gente que perdemos a conta. Ficamos impressionados com o tanto de idéia legal que cada uma dessas pessoas tinha para nos contar. Ficamos impressionados também com a generosidade com a qual TODO MUNDO repartiu essas idéias conosco.
Acabamos de tomar café da manhã. Agora é fechar as malas e voltar para casa. E aí o trabalho é nosso. Obrigado a todo mundo que nos ajudou a chegar até aqui. Se não sair uma revista incrível dessa história, podem nos culpar. Será incompetência nossa.
Esta viagem está sendo incrivelmente inspiradora todos os dias. Mas ontem foi especial. Terminamos a terça animados, otimistas. O futuro vai ser bem legal, garanto. Quer ver por quê? Veja nossas 3 entrevistas de ontem:
> café da manhã na confeitaria Colombo do Forte de Copacabana, melhor sala de reunião do mês. Batemos um papo com o procurador público Pedro Fortes, 28 anos. Ele ficou contando da equipe jovem do Ministério Público, dos avanços sociais que eles já conseguiram e daqueles que ele espera conseguir, do foco deles em aumentar a transparência do Estado e o acesso a oportunidades para todo mundo. O Pedro acabou de voltar da Califórnia, onde estudou em Stanford e aprimorou sua visão do que um Estado pode ser. Ele está muito animado.
> almoço na linda Livraria da Travessa, no shopping em Leblon, com o Matheus. O Matheus tem só 20 anos e já dirigiu um longa metragem: Apenas o Fim, que ele fez durante as férias da faculdade de cinema quase sem grana nenhuma e faturou simplesmente os prêmios de público do Festival do Rio e da Mostra Internacional de SP. Moleque inteligente, divertido, sem um pingo de arrogância, aberto para tudo, sem preconceito nenhum. Rimos com ele por horas e ficamos admirados com sua maturidade. Ele pretende dirigir mais dois longas em 2009 (um deles será seu projeto de conclusão de curso)! Perguntamos quais os melhores filmes brasileiros da história. “Terra em Transe e Uma Escola Atrapalhada (do Renato Aragão)”. Ele é bom de frases de efeito.
> Aí nos mandamos para a Fundação Getúlio Vargas para falar com o Ronaldo Lemos, homem do Creative Commons no Brasil, ativista da cultura livre e diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS), que está estudando as revoluções tecnológicas do país. Falamos de rock (Ronaldo é também curador do Tim Festival), de technobrega (ele escreveu um livro sobre o assunto), do Overmundo (ele é um dos criadores desse site sensacional) e da situação privilegiada do Brasil com a crise mundial. “Não existe lugar no mundo melhor para se estar do que o Brasil hoje”. Aí, quando o sol se pôs, aceitamos o convite do pessoal do CTS para ir jogar Rock Band na casa de um deles.
Fomos dormir conscientes de que o mundo está mudando rápido demais e que isso é assustador. Mas que, se essas mudanças implicarem mesmo em uma sociedade mais justa e transparente, criadores jovens capazes de realizar coisas incríveis e videogames nos quais qualquer um pode se sentir um astro de rock, que elas venham. São bem vindas.
Depois de horas sem fim de vôos e caos aéreo, estamos em Belém do Pará – o éden do tecnobrega, o reino das sorveterias de sabores impronunciáveis, o clímax da viagem, a terra prometida onde todas as peças do quebra-cabeça vão se encaixar.
É mentira, viu? Continuamos no Rio, sentindo que Belém foi uma (foi A) grande ausência da nossa jornada. Mas não podemos dizer que não descobrimos várias coisas sobre aquele muito longe lá no Norte, graças ao Marcel Arede (de azul na foto), que encontramos em Brasília. Ele é produtor cultural e organizador do Festival Se Rasgum, eventão de bandas indie que teva sua 3a edição agora em setembro.
Diz a lenda que o nome foi inspirado num puxador de uma quadrilha gay de Belém que ficava berrando “Vai, suas bicha! Dançum! SE RASGUM!”. Diz se não é pra ganhar prêmio de melhor nome de festival de todos os tempos.
A imagem que o Marcel ajudou a compôr foi a de um paraíso (ou inferno) hedonista, onde reinam as aparelhagens, o ecstasy custa 5 reais e as festas não acabam nunca. Disse que “o Chimbinha é o cara mais inteligente que eu já conheci”, e revelou que tem MUITA música sertaneja na terra da Banda Calypso, graças à migração de gente do centro-oeste com a expansão do gado e da soja.
O Denis deve ter muito a acrescentar sobre o assunto, então eu passo a palavra.
Não fomos a Belém, mas falamos de lá quase todo dia da nossa viagem. É que todo mundo que foi voltou impressionado com o ritmo em que o mundo está mudando à beira da floresta. Cada entrevistado nosso contou um pouquinho. Temos uma certeza só: a de que Belém pode até não ter entrado na nossa viagem, mas certamente estará na nossa revista.