
Todo mundo sabe que HQs – no celular, no iPod, no iPhone, na web e no bom e velho papel – são uma obsessão japonesa. E a verdade é que, até mesmo no Japão, nenhuma outra mídia conseguiu (ainda) substituir as revistas de antologia e os mangás em volumes encadernados.
A Weekly Shonen Jump, que completou 40 anos este ano, é a revista-mix mais famosa por lá, e é bem provável que seja a maior e mais importante publicação de quadrinhos do mundo. No seu auge, nos anos 90, a revista chegou a ter uma tiragem de 6 milhões de exemplares. Não, sério mesmo.
Antologias são a base do mercado de mangás no Japão. A maioria deles primeiro é serializada em pequenos capítulos semanais em publicações como a Shonen Jump, e só depois ganham versões encadernadas como as que saem no Brasil. Atualmente a Jump tem 20 títulos diferentes, incluindo alguns favoritos do ocidente, como One Piece, Bleach e Naruto. Séries históricas como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X e Slam Dunk já passaram pelas páginas da Jump, que até hoje mantém a espessura de uma lista telefônica, as páginas P&B em papel jornal e o custo-benefício absolutamente sem comparação.
Hoje a circulação da Jump está perto dos 3 milhões, bem menos do que em sua época áurea. Em 2002, a revista ganhou uma versão para o mercado norte-americano, lançada com enorme sucesso e que hoje mantém uma circulação cerca de 215 mil exemplares.
Mas por que diabos eu to falando de antologias de mangá aqui? Bom. Tem um bom motivo, e não é só o fato de que um dos meus sonhos secretos sempre foi editar uma versão brasileira da Jump, já que não tem nada parecido com mangá por aqui (pouco pretensioso). O formato de antologia não é estranho para o mercado brasileiro, vide a Pixel Magazine (que infelizmente pode estar com os dias contados) e a finada revista Vertigo, um dos títulos mais legais e admirados pelos fãs de HQs, que a própria Abril lançou por aqui nos anos 90 (a Abril já foi cool!).
Entre os indies, então, antologias são quase regra. Algumas dos melhores artistas nacionais publicam na Front, na Jukebox, na Graffiti e na Ragú, cujo QG nós visitamos lá em Recife. Mas as antologias brasileiras dificilmente trazem histórias serializadas, até porque a periodicidade (bimestral, trimestral, publica quando dá) não permite.
A pergunta, afinal, é a seguinte: será que uma revista mensal de grande circulação, como a que nós do Projeto Secreto queremos criar, poderia abrir espaço para quadrinhos serializados e, guardadas as proporções, assumir o papel de uma mini-Shonen Jump brasileira?