Fora de Porto Alegre, no município de Viamão, tem uma estrada conhecida pelos locais como Estrada da Branquinha. É uma estrada de terra, rodeada por charretes e pela vida lenta do interior gaúcho. Ficamos sabendo que essa estrada é um dos endereços mais míticos da história do skate brasileiro. É lá que fica, como me contou o designer e skatista Duda, componente da nossa equipe, o famoso Swell Skate Park, escavado em 1978, a primeira pista de skate do Rio Grande do Sul e uma das primeiras do Brasil.
Fomos para lá, o Duda e eu, hoje de manhã. Não foi fácil. Não há placas para a Estrada da Branquinha – esse é o nome popular, não o nome oficial, que é inspirado em algum político, como costumam ser as estradas brasileiras. Rodamos, rodamos, rodamos. Nenhum indício da Swell. Nenhuma placa, nenhuma muvuca de carros, nenhum outdoor de patrocinador. Depois de ir e voltar algumas vezes, perguntamos a um senhor empurrando uma bicicleta. Ele disse que conhecia tudo lá e que, com certeza, não tinha pista de skate nenhuma por lá. “Será que não é no centro de Viamão?” Aí o Duda desconfiou de um portão de madeira fechado. Desceu do carro, se aproximou, olhou lá dentro. E era lá. A Swell é uma pista secreta.
Lá dentro, um monte de gente se divertindo, uma área imensa e uma estrutura sensacional. A entrada custa 10 reais e a grana só chega para pagar os custos – o salário de um caseiro e manutenção. Um dos donos, o Gustavo Tesch, 26 anos, estava lá e conversamos bastante. Por que a pista é secreta?, perguntei. “Não quero que vire uma coisa pop, tem que manter a essência. Não distribuímos flyer, não tem placa, chega quem sabe, quem é trazido por um amigo.”
E grana? Ah, o Gustavo não ganha tanto quanto gostaria – não dá para viajar ao exterior todo ano ou ir à praia todo fim de semana. Mas a pista linda e bem mantida rende outras coisas para ele: uma rede de contatos com gente legal, que acaba se transformando em trabalhos de consultoria para construção de pistas, um trabalho administrativo numa revista local de skate (a excelente e independente Vista, que pretendemos visitar amanhã), organização de eventos. Ano que vem eles vão abrir um bar em Porto Alegre, com mata nativa e pista de skate.
Ele não ganha tão bem quanto ganhava quando trabalhava numa empresa que fabrica borracha, mas não reclama. “Só de poder trabalhar de bermuda, já compensa metade do salário”. E se sente ajudando a construir alguma coisa e, por que não, a melhorar o mundo. Gustavo diz que não tem concorrentes, só parceiros. Ele se liga a pessoas, cria coisas juntos e vai crescendo devagar junto com a paixão dele, o skate. Essa lógica dos “coletivos”, das pessoas unidas em torno de causas e paixões, me interessa muito. Algo me diz que é ela que vai transformar o mundo nos duros anos que vêm por aí.


Gustavo, o dono da pista secreta, e Duda, aproveitando-a