Relembrando

30 novembro, 2008



Arte de Rua em Goiânia – 2

Originally uploaded by Projeto Secreto

Ah, só para todo mundo ver, esta é a foto que o Marck mencionou nos comments sobre Arte de Rua em Goiânia. O macaquinho dele, bem legal, está acima do focinho.


Hippie? Nem tanto

30 novembro, 2008

Uma comunidade construída num ambiente rural, habitada por algumas dezenas de idealistas, que vivem do que plantam ou do que trocam com os vizinhos, bebem água da chuva, usam suas fezes para adubar a horta, fazem o possível para não produzir lixo e para viver em harmonia. Já sei o que você está pensando: ah, esses hippies…

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Confesso que pensei a mesma coisa quando cheguei à sede do Ipec – Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado –, perto da linda Pirenópolis, em Goiás. E a primeira impressão confirmou minha suspeita: estavam lá as casas de barro, os cabelos compridos, a juventude sorridente, as citações de yoga na parede, a horta comunitária.

Mas não precisou muito tempo para eu perceber que o Ipec é muito mais que isso.

– Primeiro: é um centro de pesquisa. Um lugar que experimenta modos de impactar menos a natureza e de viver sustentavelmente e cria formas mais eficientes de replicar essas experiências e espalhá-las pelo mundo.

– Segundo: é uma escola, que forma gente através de cursos e workshops e os solta no mundo para produzirem impacto.

– Terceiro: o Ipec não é um “inimigo do sistema”. Ele presta consultoria para empresas, faz parceria com instituições de todas as partes para que outros adotem as soluções que eles encontram. Acabou de prestar serviço para o Boom Festival, de Portugal, o maior festival de música eletrônica da Europa, para ajudar a reduzir seu impacto ambiental. Fizeram os banheiros do festival, que vão produzir adubo ano depois de um ano.

– Quarto: eles não são “anti-capitalistas”. Como disse o André Soares, que criou o instituto uma década atrás depois de estudar o assunto na Austrália, “capitalismo é a única coisa que temos, o que precisamos é torná-lo ético”. Sim, é verdade que eles recusam patrocínio de empresas que destróem o planeta e querem comprar credibilidade (o que o André chama de “ecowash”). Mas estão dispostos a prestar consultoria para essas mesmas empresas se elas forem realmente sinceras nas suas preocupações ambientais.

Eu disse ao André que achei tudo muito lindo (e o lugar é lindo mesmo), mas será que ele acredita mesmo que pode mudar o mundo? A resposta: “não vamos mudar o mundo. Mas temos ao nosso favor a força da inevitabilidade. É inevitável que o nosso modelo econômico insustentável quebre. O planeta não aguenta. Quando isso acontecer, e vai acontecer, é bom sabermos quais são as alternativas. Nós estamos pesquisando as alternativas. Não estamos pensando em salvar o mundo do apocalipse – estamos pensando no pós-apocalipse. Estamos abrindo trilhas num espaço inexplorado. Talvez uma dessas trilhas nos leve a algum oásis.” Bom, né?

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À esquerda, construção usando o método superadobe – terra local ensacada e batida. Conforto térmico ideal e impacto mínimo. À direita, o sensacional Centro de Convenções.

PS: ah, experimentei o banheiro que transforma cocô em adubo. Cheira melhor do que o banheiro do Hotel Monumental, em Brasília.


Buraco de bala

30 novembro, 2008

Só uma amostrazinha do trabalho massa do estúdio Buraco de Bala, que visitamos em Brasília.

Os caras contaram para gente que o sonho é produzir um longa de animação sobre a participação brasileira na Segunda Guerra. Alguém aí tem uns milhões de dólares para dar pros caras para eu poder assistir esse filme?


A melhor revista do mundo

30 novembro, 2008

Já chegamos a Belo Horizonte. Mas quando ainda estavamos lá em Brasília, ganhamos uma dica importante do Dudu Gomes (aquele cara do seriado nos posts aí em baixo). Pra fazer uma revista legal mesmo, a gente tem que querer que ela seja a melhor do mundo. Confira um trechinho da conversa entre o Dudu, André Sirangelo, Denis Russo e Thiago Cruz (participações especiais e invisíveis de Duda Gayotto escondido e Gisela Blanco filmando e rindo).


On the road again

29 novembro, 2008

Rumo a BH, cheios de expectativas e contatos legais. Mas, se você tiver uma dica de alguém lá, como sempre, ficamos gratos.


Seriado brazuca

28 novembro, 2008

Olha aí o trailer do seriado Lifelike, que o diretor Dudu Gomes, que cohecemos outro dia, está tentando viabilizar. Dá vontade de ver o resto, não dá? O Dudu, que tem 24 anos, atua também na série – ele é o cabeludo de brinco.

O Dudu nunca fez seriado antes, mas diz o seguinte: “eu sei que eu sei fazer seriado. Não porque eu seja um gênio, mas porque nós temos muita referência. Nós assistimos a muito seriado. Nós sabemos o que funciona, nós conhecemos o que já foi feito.” Taí outro traço da geração: muita referência.


Na estrada com o Black Mountain

28 novembro, 2008

Totalmente louca essa vida de estrada. Num dia estamos debruçados nas Cataratas do Iguaçu, e aí do nada estamos numa mesa de bar em Goiânia, tomando caipirinha com os produtores do Goiânia Noise e a banda canadense Black Mountain.

Grupo indie/psicodélico supimpa de Vancouver, com 2 discos bem elogiados nas costas, o Black Mountain está longe de ser uma banda normalzinha. 3 coisas que descobrimos sobre eles:

* Além de estarem à frente de um coletivo de artistas de Vancouver chamado Black Mountain Army, 3 dos 5 membros da banda trabalham durante o dia num abrigo para loucos e viciados em drogas perto da chamada ‘capital da heroína’ no Canadá. Todo mundo que trabalha no abrigo é artista.

* O baixista Matthew Camirand (o primeiro da foto) diz que o sonho da vida dele é virar escritor. Ele é fâ de Moby Dick, O Senhor dos Anéis e H. P. Lovecraft, gosta de escrever histórias curtas e roteiros, mas acha muito mais difícil saber quando a obra está pronta quando está escrevendo uma história ao invés de uma música. Ele nunca mostra o que escreve para ninguém.

* Os caras acolheram um holandês chamado Remco que veio falar com eles bebaço no festival South By Southwest, no Texas, pedindo para fazer o som da banda. Remco, figura, agora já praticamente virou o sexto membro do BM, e se apaixonou pelas cachaças do ótimo bar Royal, no Setor Bueno de Goiânia.

Foi o Remco que indicou uma matéria da Mojo com a banda, a única que ele achou realmente legal: um repórter da revista pediu para passar 2 dias na estrada com eles. A estadia acabou sendo esticada para 4 dias por causa de uma ressaca. Ops, digo, por causa de uma nevasca. De resto, disse ele, todas as matérias sobre a banda parecem iguais.

(Foto: Chris Frey)