Vamos todos virar manteiga?

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Começamos a nossa aventura conversando com os ciberativistas / ciclistas / educadores / programadores / malabaristas membros de um hacklab aqui em São Paulo.

E aí você pergunta: o que diabos é um hacklab?

Hacklabs são grupos que desenvolvem tecnologias de software livre e mídia alternativa como incentivo à cultura, educação e mudanças sociais. Esse hacklab ainda não tem um nome oficial, então eles aportuguesaram a expressão e se referem a eles mesmos como um raquilabi. Além de criar e administrar websites e oferecer soluções para vários tipos de clientes, eles são um dos grupos que ajudou a levar o software livre para o Ministério da Cultura, e estão envolvidos na ação Pontos de Cultura, incentivo a instituições por todo o país que fazem o conhecimento circular. Não é legal ter que resumir o que esses caras fazem, sozinhos ou em rede, em poucas linhas. Porque é muita coisa, e é coisa grande. Mas também não dá para segurar informação e não abrir o código, então confira os melhores momentos clicando em “ler o resto” aí embaixo. Ou gaste uns 5 minutos pra ver nosso vídeo no youtube.

Pintura: Churning Butter (1868), Jean-François Millet

Onde?
São Paulo – SP

Quem?
Luis Fagundes, coder e assessor de comunicação
Leonardo Germani, blogueiro e professor de robótica
Pedro Germani, primo do Leo, sósia do Jim do The Office e o único com formação em ciência da computação
Rodrigo Sampaio, pedagogo e malabarista
Fabianne Balvedi, ciclista e curitibana
Joana, a filhote de maritaca que caiu no quintal

O quê?

* O grupo defende que software é ferramenta de cultura — os índios têm lá o tipiti para secar mandioca, nós temos o software. Ciberativistas acreditam que cultura não pode ser propriedade de uma empresa, por isso a defesa do software livre. Código aberto estimula inovação em rede, comunidades pelo mundo inteiro, algo que não existe com softwares proprietários. O software nasceu livre, o que aconteceu foi que as empresas descobriram que poderiam ganham MUITO dinheiro com eles. Abrir o código é o que permite a longevidade de um software — além de ser muito mais divertido.

* O que o grupo descobriu é que não é preciso ser uma ONG, um instituto, não é preciso fazer parte do governo para promover mudança social. Dá para ser uma empresa que trabalhe com esses valores novos que estão surgindo, aplicando conhecimento. Ganhar dinheiro, sim, mas do jeito que eles acreditam.

* Então por que as grandes empresas ainda não adotaram a cultura do software livre? Segundo eles, existem algumas impressões erradas. Por exemplo: software livre não significa que ninguém vai ganha dinheiro. Significa que o código é aberto. O próprio raquilabi ganha dinheiro com software livre, é o negócio deles afinal. Outra coisa é que muitas empresas pensam que, se elas usam software livre, elas são obrigadas a distribuir e redistribuir o código, o que significaria repassar segredos para a concorrência. A Fabianne diz que isso não é verdade. Se o software é modificado e se mantém in-house, ele não precisa ser divulgado. Finalmente, o Luis explica que são essas impressões erradas e a inércia das grandes empresas que inibem o esforço para mudar – e quanto maior a empresa, maior a inércia.

* Para o pessoal do raquilabi, a cultura colaborativa está se espalhando por todas as áreas. Mesmo no mundo empresarial – eles mesmos são uma empresa que usa um modelo totalmente horizontal de administração. Não existe hierarquia e nem chefe. Outro exemplo é o da Bicicletada, um movimento sem líderes no qual ciclistas se juntam para reinvidicar seu espaço nas ruas. Outro ainda é o das comunidades que fazem legendas e disponibilizam episódios de séries americanas na internet poucas horas depois da exibição nos EUA. Para o Leonardo, não é mais possível separar cultura de tecnologia, a tecnologia já alterou o comportamento e as relações das pessoas de um jeito que as duas coisas viraram uma só.

* O Rodrigo diz que uma amiga dele tem a seguinte viagem: para fazer manteiga, é preciso bater e bater e bater o leite até que uma hora ele vira manteiga. Certo? Muito bem, se as pessoas estão batendo o leite desde os movimentos de resistência das década de 60 e 70, agora que está todo mundo conectado, será que tudo vai, finalmente, virar manteiga?

Os crânios do raquilabi agora vão enfrentar o desafio de ajudar na criação de uma escola, a Politéia, seguindo o modelo horizontal de administração. É parte de um movimento de escolas democráticas que, segundo o Luis, está para a educação como o software livre está para a cultura.

No meio da nossa conversa, o Pedro grita do quintal que encontrou um passarinho caído no chão. É a Joana, filhote de maritaca que ainda não consegue voar e já tinha aparecido no jardim alguns dias antes. “Põe ela numa caixinha”, o Luis responde de volta, “e a gente cuida dela até ela aprender a voar”.

Acho que eu nem preciso explicar porque eu coloquei essa história aqui no final do post.

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15 Responses to Vamos todos virar manteiga?

  1. Rodrigo Sampaio disse:

    Só faltou citar que o site da escola é http://www.politeia.org.br – não podia deixar de aproveitar a propaganda gratuita caso alguma mãe ou pai leia este post e fique interessado em colocar seu filho no que vai ser uma das melhores escolas da galáxia 🙂

  2. Luis Fagundes disse:

    E pra quem ficou preocupado com a Joana, boas notícias: no dia seguinte deixamos ela no alto da jaboticabeira onde ela nasceu, e depois de algumas horas ela voou 🙂

  3. Gustavo Gitti disse:

    Seguinte: contem comigo na divulgação, para entrar no SESC, para um churrasco, para um boteco, para qualquer coisa.

    A Politeia tem tudo para dar certo.

    Grande abraço!

  4. Camila disse:

    sahUSHAushaUHSUAhsuHSUAhsuaHSUAhsu
    Qual é a da Joana?!

  5. giblanco disse:

    Ela não conseguia voar, Camila! E os rapazes cuidaram dela até aprender… =o)

  6. Legal…muito legal…

  7. Gisela Blanco disse:

    […] Curitiba. Já estou na correria aqui pra reunir contatos e marcar nossas conversar. Enquanto isso, já conhecemos uma galera bem legal aqui em São Paulo mesmo. E estamos fazendo um blog pra colocar tudo o que for rolando. Além dos posts por lá, farei […]

  8. Indira disse:

    Ué? E cadê o Macarena???

  9. Parabéns à Gisela pela reportagem, à galera do raquilabi e da politéia!
    Vou divulgar!
    Só um detalhe: Não é todo o leite que vira manteiga…. só a nata do leite é que, batendo, batendo, o soro separa da gordura, que é a manteiga.
    Para que haja a separação final, é preciso separar primeiro a nata do restante do leite. Existe por aí muito leite que não consegue virar manteiga… mas só a nata é que vira manteiga. E essa nata não é a nata no sentido tradicional que se diz “a nata da sociedade” . A “nata”atual é formada por essa gente jovem e consciente, que vem chegando para ajudar na transformação social, educacional, familiar e espiritual de todo o planeta. São catalisadores para desencadear as transformações.
    Fico muito feliz por estar tão próxima a vocês!
    Meu afetuoso abraço!
    Dulcinéa

  10. FazendoManteigaSemParar disse:

    isso, que eu ia falar, é a nata que vira chantily depois vira manteiga – tamos quase meus amigos, tamos quase!!

    aproveito pra divulgar uma ação emergencial – o sorriso de uma criança é uma emergencia

  11. FazendoManteigaSemParar disse:

    Esta semana estou indo pra Itajaí pra trabalhar num
    projeto de preparacao para abertura de um “banco comunitário”
    é algo para mais longo prazo – a tragédia foi absurda

    Inclusive, NO IMEDIATO estou pedindo a todos os meus amigos que –
    independente de mais nada, ajudem a arrecadar presentes de natal
    espero de cada um, um brinquedinho bem lindo, embrulhado com
    amor, nao precisa ser novo mas precisa estar lindo
    com um cartao escrito à mao. Mandando amor pra essas crianças que tao
    sofrendo muito mais do que dá pra imaginar

    E escrito por fora o que é / pra qual idade.

    Me encarrego pessoalmente de fazer chegar em crianças cujos pais
    perderam o emprego e a casa.
    Por favor, se cada um mandar um brinquedo e pedir pra dez amigos, PG –
    em tres dias temos a populacao da terra todinha 

    posso contar com voces??

  12. FazendoManteigaSemParar disse:

    Endereço para envio:
    Lolita Sala
    Centro Público de Economia Solidária de Itajaí
    Rua Lauro Muller, 39, Centro
    Itajaí
    cep 88301400

    ajuda a divulgar, tá?

    Se for um pacote maiorzinho,
    que signifiqe um custo de correio consideravel,
    não gaste – em vez de mandar pra mim
    leva no correio que eles mandam pra Defesa Civil –
    mandando pra mim, a doação entra num conjunto de ações que contribui
    pra fortalecer a construcao da economia solidaria
    mandando pra def civil confio que chega nos necessitados de toda forma.
    beijao

  13. FazendoManteigaSemParar disse:

    Endereço para envio:
    Lolita Sala
    Centro Público de Economia Solidária de Itajaí
    Rua Lauro Muller, 39, Centro
    Itajaí
    cep 88301400

  14. FazendoManteigaSemParar disse:

    ajuda a divulgar, tá?
    Se for um pacote maiorzinho,
    que signifiqe um custo de correio consideravel,
    não gaste – em vez de mandar pra mim
    leva no correio que eles mandam pra Defesa Civil –
    mandando pra mim, a doação entra num conjunto de ações que contribui
    pra fortalecer a construcao da economia solidaria
    mandando pra def civil confio que chega nos necessitados de toda forma.
    beijao

  15. FazendoManteigaSemParar disse:

    Se for um pacote maiorzinho,
    que signifiqe um custo de correio consideravel,
    não gaste – em vez de mandar pra mim
    leva no correio que eles mandam pra Defesa Civil –
    mandando pra mim, a doação entra num conjunto de ações que contribui
    pra fortalecer a construcao da economia solidaria
    mandando pra def civil confio que chega nos necessitados de toda forma.
    beijao

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