Longo dia

Longo longo dia. Começou com o despertador tocando na remota Campo Grande, a “1.000 quilômetros de qualquer lugar”, como descreveu nossa amiga Paula Bueno, designer gente fina da cidade. Terminou 20 horas depois, às 5 da manhã, voltando de um festival de música independente em Goiânia. Entre uma coisa e outra, campos vazios infinitos, estradas de terra terríveis e até uma balsa para desviar de uma ponte que caiu há mais de um ano atrás.

Este aí em cima é nosso carro vermelho. E, em cima dele, Furacão, velho companheiro de guerra.

Passamos o dia rodando sobre os buracos na estrada, cheirando bosta de vaca, nos identificando com os porcos espremidos no caminhão da frente (eles também pareciam cansados de estrada) e tendo idéias para nossa revista.

Chegamos cansadíssimos, mas buscamos força para ir ao Goiânia Noise Festival. Valeu a pena, juro. Festivalzinho profissa, divertido, sem a multidão habitual de SP, mas com qualidade, público animado, tudo bem feito. De cara topamos com o Iuri Freiberger, produtor do Gig Rock gaúcho, que tínhamos conhecido em Porto Alegre. Depois de 12 dias na estrada, é boa a sensação de começar a reencontrar gente. E é legal também constatar como os festivais independentes brasileiros estão se articulando, se ajudando. Encontramos também o Lúcio Ribeiro, jornalista de música de São Paulo, empolgadíssimo com o festival (“só vi coisa boa aqui hoje”). Deu para ver pouca coisa. O restinho de um show bem bacana (a banda canadense Black Mountain, essa do vídeo abaixo) e o paulistano Instituto arrepiando o público com sua versão de Racionais, do Tim Maia.

Conclusões do dia:

– O Brasil é gigante, e é um mundo. Tem gargalos de infraestrutura impressionantes – embora vejamos estradas melhorando por toda parte, ainda há pontes que ligam capitais caindo e ficando caídas por mais de um ano.

– Por outro lado, lentamente se liberta da crônica centralização em Rio e SP. Gente legal coloca de pé idéias legais país afora. O Noise Festival é um exemplo muito legal. Sem mega-estrelas, sem mega-cachês, sem mega-patrocínios, se tornou uma referência de cultura independente e lentamente vai ajudando a transformar Goiânia num centro alternativo de cultura.

– O Brasil, de um lado, funciona mal. O Estado não é para todo mundo, sobram burocracia e corrupção. De outro lado, funciona bem: mais e mais gente ousa, mais e mais gente sonha, mais e mais gente cria. Mais e mais gente floresce numa cultura nova, que nós batizamos de Cultura Livre. Em breve quero falar mais sobre Cultura Livre, mas adianto uma coisa: ela está no centro das coisas que temos pensado aqui.

Anúncios

3 Responses to Longo dia

  1. William Gomes disse:

    Massa demais isso aí!
    Não vejo a hora do projeto estar pronto!
    Valeu!

  2. Muito inspiradores os projetos que vocês estão mostrando. Dá uma empolgação, como se algo grande estivesse se formando pelos cantos do Brasil e do mundo

  3. Flausino, L disse:

    Cara, concordo totalmente contigo nesse teu raciocínio.
    A impressão que tenho é que há uma sede de algo que seja localmente familiar, mas ao mesmo tempo, soe familiar no outro canto do país (pelas fotos: O Brasil é lindo, mesmo).
    Isso com a educação que a gente tem. Imagina se estivéssemos melhores…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: