Workshop de sedução

6 fevereiro, 2009

A reportagem-HQ de Allan Sieber publicada na Playboy em 2007, recomendada pelo André Dahmer como uma das melhores coisas que o Allan já fez, é realmente imperdível.

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Continua aqui.

O único problema é que o blog do Allan é tão ruim que não tem sequer um permalink para cada post. Pior até que os blogs da Abril. Pô, Allan, muda para o WordPress!


40 anos de Shonen Jump

15 dezembro, 2008

Todo mundo sabe que HQs – no celular, no iPod, no iPhone, na web e no bom e velho papel – são uma obsessão japonesa. E a verdade é que, até mesmo no Japão, nenhuma outra mídia conseguiu (ainda) substituir as revistas de antologia e os mangás em volumes encadernados.

A Weekly Shonen Jump, que completou 40 anos este ano, é a revista-mix mais famosa por lá, e é bem provável que seja a maior e mais importante publicação de quadrinhos do mundo. No seu auge, nos anos 90, a revista chegou a ter uma tiragem de 6 milhões de exemplares. Não, sério mesmo.

Antologias são a base do mercado de mangás no Japão. A maioria deles primeiro é serializada em pequenos capítulos semanais em publicações como a Shonen Jump, e só depois ganham versões encadernadas como as que saem no Brasil. Atualmente a Jump tem 20 títulos diferentes, incluindo alguns favoritos do ocidente, como One Piece, Bleach e Naruto. Séries históricas como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X e Slam Dunk já passaram pelas páginas da Jump, que até hoje mantém a espessura de uma lista telefônica, as páginas P&B em papel jornal e o custo-benefício absolutamente sem comparação.

Hoje a circulação da Jump está perto dos 3 milhões, bem menos do que em sua época áurea. Em 2002, a revista ganhou uma versão para o mercado norte-americano, lançada com enorme sucesso e que hoje mantém uma circulação cerca de 215 mil exemplares.

Mas por que diabos eu to falando de antologias de mangá aqui? Bom. Tem um bom motivo, e não é só o fato de que um dos meus sonhos secretos sempre foi editar uma versão brasileira da Jump, já que não tem nada parecido com mangá por aqui (pouco pretensioso). O formato de antologia não é estranho para o mercado brasileiro, vide a Pixel Magazine (que infelizmente pode estar com os dias contados) e a finada revista Vertigo, um dos títulos mais legais e admirados pelos fãs de HQs, que a própria Abril lançou por aqui nos anos 90 (a Abril já foi cool!).

Entre os indies, então, antologias são quase regra. Algumas dos melhores artistas nacionais publicam na Front, na Jukebox, na Graffiti e na Ragú, cujo QG nós visitamos lá em Recife. Mas as antologias brasileiras dificilmente trazem histórias serializadas, até porque a periodicidade (bimestral, trimestral, publica quando dá) não permite.

A pergunta, afinal, é a seguinte: será que uma revista mensal de grande circulação, como a que nós do Projeto Secreto queremos criar, poderia abrir espaço para quadrinhos serializados e, guardadas as proporções, assumir o papel de uma mini-Shonen Jump brasileira?


Belém por procuração

10 dezembro, 2008

Marcel Arede

Depois de horas sem fim de vôos e caos aéreo, estamos em Belém do Pará – o éden do tecnobrega, o reino das sorveterias de sabores impronunciáveis, o clímax da viagem, a terra prometida onde todas as peças do quebra-cabeça vão se encaixar.

É mentira, viu? Continuamos no Rio, sentindo que Belém foi uma (foi A) grande ausência da nossa jornada. Mas não podemos dizer que não descobrimos várias coisas sobre aquele muito longe lá no Norte, graças ao Marcel Arede (de azul na foto), que encontramos em Brasília. Ele é produtor cultural e organizador do Festival Se Rasgum, eventão de bandas indie que teva sua 3a edição agora em setembro.

Diz a lenda que o nome foi inspirado num puxador de uma quadrilha gay de Belém que ficava berrando “Vai, suas bicha! Dançum! SE RASGUM!”.  Diz se não é pra ganhar prêmio de melhor nome de festival de todos os tempos.

A imagem que o Marcel ajudou a compôr foi a de um paraíso (ou inferno) hedonista, onde reinam as aparelhagens, o ecstasy custa 5 reais e as festas não acabam nunca. Disse que “o Chimbinha é o cara mais inteligente que eu já conheci”, e revelou que tem MUITA música sertaneja na terra da Banda Calypso, graças à migração de gente do centro-oeste com a expansão do gado e da soja.

O Denis deve ter muito a acrescentar sobre o assunto, então eu passo a palavra.

Não fomos a Belém, mas falamos de lá quase todo dia da nossa viagem. É que todo mundo que foi voltou impressionado com o ritmo em que o mundo está mudando à beira da floresta. Cada entrevistado nosso contou um pouquinho. Temos uma certeza só: a de que Belém pode até não ter entrado na nossa viagem, mas certamente estará na nossa revista.


Na estrada com o Black Mountain

28 novembro, 2008

Totalmente louca essa vida de estrada. Num dia estamos debruçados nas Cataratas do Iguaçu, e aí do nada estamos numa mesa de bar em Goiânia, tomando caipirinha com os produtores do Goiânia Noise e a banda canadense Black Mountain.

Grupo indie/psicodélico supimpa de Vancouver, com 2 discos bem elogiados nas costas, o Black Mountain está longe de ser uma banda normalzinha. 3 coisas que descobrimos sobre eles:

* Além de estarem à frente de um coletivo de artistas de Vancouver chamado Black Mountain Army, 3 dos 5 membros da banda trabalham durante o dia num abrigo para loucos e viciados em drogas perto da chamada ‘capital da heroína’ no Canadá. Todo mundo que trabalha no abrigo é artista.

* O baixista Matthew Camirand (o primeiro da foto) diz que o sonho da vida dele é virar escritor. Ele é fâ de Moby Dick, O Senhor dos Anéis e H. P. Lovecraft, gosta de escrever histórias curtas e roteiros, mas acha muito mais difícil saber quando a obra está pronta quando está escrevendo uma história ao invés de uma música. Ele nunca mostra o que escreve para ninguém.

* Os caras acolheram um holandês chamado Remco que veio falar com eles bebaço no festival South By Southwest, no Texas, pedindo para fazer o som da banda. Remco, figura, agora já praticamente virou o sexto membro do BM, e se apaixonou pelas cachaças do ótimo bar Royal, no Setor Bueno de Goiânia.

Foi o Remco que indicou uma matéria da Mojo com a banda, a única que ele achou realmente legal: um repórter da revista pediu para passar 2 dias na estrada com eles. A estadia acabou sendo esticada para 4 dias por causa de uma ressaca. Ops, digo, por causa de uma nevasca. De resto, disse ele, todas as matérias sobre a banda parecem iguais.

(Foto: Chris Frey)


Arte de rua em Goiânia

26 novembro, 2008

Eu e Furacão (minha bike) saímos por Goiânia fotografando graffiti.