Azucrinando

1 dezembro, 2008

Um grupo de designers e músicos de BH, cada um com seu emprego, se juntaram em 2007 e criaram um coletivo, o Azucrina. No começo a idéia era trabalhar juntos para clientes. Eles até fizeram umas coisas comerciais (bem legais), mas chegaram à conclusão de que o Azucrina não é um escritório. Não é um lugar para executar idéias dos outros, é para ter as próprias idéias. Hoje o Azucrina meio que evita trabalhos comerciais (embora eles não tenham nada contra ganhar dinheiro nem descartem a hipótese de que acabem criando algo legal que, no final, ganhe dinheiro). O negócio deles é ter idéias, doidas, e fazê-las acontecer com a ajuda uns dos outros. Como o Rotatória, um show de rock numa rotatória no meio de uma avenida que acaba quando a polícia chega. Ou essa sutil intervenção contra a sujeira na cidade na época de eleições aí do vídeo abaixo.

Adoramos a conversa e o pique dos caras. Todo mundo muito gente boa, muito generoso em repartir idéias e a fim de experimentar coisas. Mais um indício de que a lógica do mundo está mudando e já não pode ser explicada apenas pelas contas de mais e menos das planilhas de Excel.

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Mudança

9 novembro, 2008

Tomei café da manhã na sexta-feira com o mineiro Helder Araújo, que tem uma carreira impressionante. Formou-se em design no Brasil, foi estudar na Fabrica, lá na Itália, celeiro de talento e idéias inovadoras, trabalhou na espetacular revista Colors misturando imagem com antropologia, voltou para o Brasil, mudou-se para São Paulo e virou um profissional disputadíssimo. É contratado por grandes empresas, como Fiat e Adidas, para pensar inovadoramente por elas. O trabalho de Helder pode ser assim: viajar para a China, fotografar e entrevistar gente, fazer uma pesquisa monumental, voltar e desenhar o novo produto de uma empresa. Não é legal? O mais impressionante é que ele conseguiu isso tudo nos primeiros 30 e poucos anos de vida. Ou seja, tem uma longa vida produtiva pela frente.

Tivemos uma conversa longa e bem interessante na qual Helder me ajudou a entender melhor o processo de inovação. Ele contou dos planos dele para o futuro – entre eles lançar um site de organização de conteúdo chamado Spix, que já existe em versão fechada e atualmente está em busca de um investidor para, quem sabe, virar um site-fenômeno-internacional se as coisas derem certo. O cara realmente está sintonizado no futuro e tem um trabalho ambicioso, consistente e planejado.

Mas o que mais gostei de ouvir foi a parte em que o Helder me falou das insatisfações dele. Ele disse que decidiu trabalhar menos para empresas e mais para governos e organizações sociais. Ele quer usar o que ele sabe – seu olhar visionário e atento, seu espírito organizado e focado – para melhorar o mundo. E acha que o momento que estamos passando agora no Brasil e no mundo é o começo de uma transformação absurda na história da humanidade – o derretimento de Wall Street, a mobilização contra o aquecimento global e a eleição de Obama são algus sintomas disso.

Eu disse para ele que queria que ele, de alguma forma, nos ajudasse a pensar nossa nova “revista”. Ele ficou animado com a idéia.


pelo mundo: festival onedotzero

6 novembro, 2008

Animação e motion graphics em Londres.
14-16 de novembro

Via Motionographer


Reinventor de coisas

5 novembro, 2008

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Hoje fomos conhecer outro sujeito legal, o Barão – Flavio Barão De Sarno, 30 anos -, lá na empresa dele, a NóDesign, na Vila Madalena, em São Paulo. O trabalho dele é reinventar coisas: um cabide que não esgarça a gola, uma saboneteira feita de restos de sacola e que não junta água, um celular para quem não quer aprender a lidar com botões, uma cadeira que não desperdiça um milímetro de madeira e pode ser guardada sem ocupar espaço, uma bolsa-quadro inspirada em refletores dobráveis de fotógrafos, essa porta que eu fiquei tentando descrever com palavras sem nenhum sucesso:
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Quando precisa explicar para alguém o que faz da vida, Barão diz que é designer de produtos, mas no fundo ele sabe que é mais que isso: ele é um inovador. O trabalho dele é descobrir do que as pessoas precisam e surpreendê-las com o que elas querem. É também repensar conceitos etéreos como “sustentabilidade” e torná-los paupáveis. Todos os objetos deles tem intenção, nada é assim só porque é assim. O pregador de roupa acoplado ao cabide foi imaginado depois que eles observaram que cabides comuns tendem a escorregar para o meio do varal.

Ele ficou contando para a gente como se inova. Primeiro se lista um monte de coisas que dá para fazer. Depois se observa. Depois se observa mais a fundo, tentando entender como as coisas são feitas e como elas são usadas. Depois começa-se a construir a solução para o problema, de um jeito propositalmente tosco, para não perder tempo demais com isso. Barão chama isso de porcótipo, versão imunda do protótipo. Aí se testa o porcótipo, sem piedade: idéias que parecem geniais a primeira vista às vezes não passam pelo primeiro olhar de uma dona de casa exigente. Aí vai se melhorando até ficar bom pacas. Olhando o portfólio dos caras, parece que o método funciona.

Mas o mais louco é que o Barão não se considera um fabricante de objetos simplesmente: ele é mais um resolvedor de problemas. O método dele não serve só para saboneteiras ou potes de shampoo. Bem empregado, ele talvez possa se aplicar a sistemas de trânsito, métodos de ensino, organização de gente, projetos de hospitais. Andando pela sede da empresa, nosso serviço de inteligência detectou num mural na parede o segrego de seu sucesso. Em primeira mão, adianto para vocês o ultra secreto método NóDesign de resolução de problemas:

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