Universo desconhecido

13 novembro, 2008

Tem coisas acontecendo no Brasil que minha vã filosofia mal suspeitava. Pegue por exemplo a Hoplon, empresa brazuca que faz o Taikodom, um videogame massivo online de ficção científica. Começou numa salinha acanhada numa incubadora de empresas de tecnologia no alto de um morro com vista para o mar lindo de Floripa. Se espalhou pelos andares do prédio e hoje ocupa 5 salas onde 110 pessoas trabalham feito loucas para conceber, construir e gerenciar um universo virtual onde milhares de jogadores pelo mundo passam seu tempo.

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Taikodom é um empreendimento gigante, ousado, bancado por capital de risco de um investidor e movido a talento jovem e nerd (bonequinhos do Poderoso Thor e do ET e um tabuleiro de Dungeons e Dragons dividem o espaço nas prateleiras com livros técnicos complicadíssimos). Passeamos por lá hoje, boqueabertos. Estava todo mundo ocupado prá caramba construindo um universo, então não deu para batermos longos papos, mas trocamos idéia com muita gente. Todos pareciam orgulhosíssimos de fazer o maior game do Brasil e felicíssimos de passar suas vidas profissionais naquele ambiente onde se pode trabalhar sem sapatos e de bermudas.

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O Murilo, por exemplo, que trabalha na TI, disse que adora o emprego. Eu perguntei se, no fundo, trabalhar na TI de um game não é a mesma coisa do que na TI de uma empresa. É, ele admitiu. Mas, por outro lado, não é. Ele trocou o emprego numa firma por esse, para ganhar a mesma coisa, e tem certeza de que fez bom negócio. “Aqui só se usa camisa de botão na entrevista de emprego”, disse. Essa informalidade, essa diversão, essa paixão vale mais que o salário para ele. E contar para os amigos que se trabalha no Taikodom tem um valor que o dinheiro não paga.

Demais. Senti que eu estava descobrindo um outro universo, que eu nem sabia que existia no Brasil. E confirmei a hipótese que se desenhou ontem com os estudantes de jornalismo com quem conversamos: para cada vez mais gente, realização profissional se mede pela sensação de fazer parte de algo incrível, e não pelo salário.

Precisamos entender isso se queremos fazer uma revista relevante para essa geração.

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