Belém por procuração

10 dezembro, 2008

Marcel Arede

Depois de horas sem fim de vôos e caos aéreo, estamos em Belém do Pará – o éden do tecnobrega, o reino das sorveterias de sabores impronunciáveis, o clímax da viagem, a terra prometida onde todas as peças do quebra-cabeça vão se encaixar.

É mentira, viu? Continuamos no Rio, sentindo que Belém foi uma (foi A) grande ausência da nossa jornada. Mas não podemos dizer que não descobrimos várias coisas sobre aquele muito longe lá no Norte, graças ao Marcel Arede (de azul na foto), que encontramos em Brasília. Ele é produtor cultural e organizador do Festival Se Rasgum, eventão de bandas indie que teva sua 3a edição agora em setembro.

Diz a lenda que o nome foi inspirado num puxador de uma quadrilha gay de Belém que ficava berrando “Vai, suas bicha! Dançum! SE RASGUM!”.  Diz se não é pra ganhar prêmio de melhor nome de festival de todos os tempos.

A imagem que o Marcel ajudou a compôr foi a de um paraíso (ou inferno) hedonista, onde reinam as aparelhagens, o ecstasy custa 5 reais e as festas não acabam nunca. Disse que “o Chimbinha é o cara mais inteligente que eu já conheci”, e revelou que tem MUITA música sertaneja na terra da Banda Calypso, graças à migração de gente do centro-oeste com a expansão do gado e da soja.

O Denis deve ter muito a acrescentar sobre o assunto, então eu passo a palavra.

Não fomos a Belém, mas falamos de lá quase todo dia da nossa viagem. É que todo mundo que foi voltou impressionado com o ritmo em que o mundo está mudando à beira da floresta. Cada entrevistado nosso contou um pouquinho. Temos uma certeza só: a de que Belém pode até não ter entrado na nossa viagem, mas certamente estará na nossa revista.


Azucrinando

1 dezembro, 2008

Um grupo de designers e músicos de BH, cada um com seu emprego, se juntaram em 2007 e criaram um coletivo, o Azucrina. No começo a idéia era trabalhar juntos para clientes. Eles até fizeram umas coisas comerciais (bem legais), mas chegaram à conclusão de que o Azucrina não é um escritório. Não é um lugar para executar idéias dos outros, é para ter as próprias idéias. Hoje o Azucrina meio que evita trabalhos comerciais (embora eles não tenham nada contra ganhar dinheiro nem descartem a hipótese de que acabem criando algo legal que, no final, ganhe dinheiro). O negócio deles é ter idéias, doidas, e fazê-las acontecer com a ajuda uns dos outros. Como o Rotatória, um show de rock numa rotatória no meio de uma avenida que acaba quando a polícia chega. Ou essa sutil intervenção contra a sujeira na cidade na época de eleições aí do vídeo abaixo.

Adoramos a conversa e o pique dos caras. Todo mundo muito gente boa, muito generoso em repartir idéias e a fim de experimentar coisas. Mais um indício de que a lógica do mundo está mudando e já não pode ser explicada apenas pelas contas de mais e menos das planilhas de Excel.


Na estrada com o Black Mountain

28 novembro, 2008

Totalmente louca essa vida de estrada. Num dia estamos debruçados nas Cataratas do Iguaçu, e aí do nada estamos numa mesa de bar em Goiânia, tomando caipirinha com os produtores do Goiânia Noise e a banda canadense Black Mountain.

Grupo indie/psicodélico supimpa de Vancouver, com 2 discos bem elogiados nas costas, o Black Mountain está longe de ser uma banda normalzinha. 3 coisas que descobrimos sobre eles:

* Além de estarem à frente de um coletivo de artistas de Vancouver chamado Black Mountain Army, 3 dos 5 membros da banda trabalham durante o dia num abrigo para loucos e viciados em drogas perto da chamada ‘capital da heroína’ no Canadá. Todo mundo que trabalha no abrigo é artista.

* O baixista Matthew Camirand (o primeiro da foto) diz que o sonho da vida dele é virar escritor. Ele é fâ de Moby Dick, O Senhor dos Anéis e H. P. Lovecraft, gosta de escrever histórias curtas e roteiros, mas acha muito mais difícil saber quando a obra está pronta quando está escrevendo uma história ao invés de uma música. Ele nunca mostra o que escreve para ninguém.

* Os caras acolheram um holandês chamado Remco que veio falar com eles bebaço no festival South By Southwest, no Texas, pedindo para fazer o som da banda. Remco, figura, agora já praticamente virou o sexto membro do BM, e se apaixonou pelas cachaças do ótimo bar Royal, no Setor Bueno de Goiânia.

Foi o Remco que indicou uma matéria da Mojo com a banda, a única que ele achou realmente legal: um repórter da revista pediu para passar 2 dias na estrada com eles. A estadia acabou sendo esticada para 4 dias por causa de uma ressaca. Ops, digo, por causa de uma nevasca. De resto, disse ele, todas as matérias sobre a banda parecem iguais.

(Foto: Chris Frey)