Só mais uma

15 dezembro, 2008

Terceira tirinha surrupiada do André Dahmer em uma semana. Já estou vendo o advogado dele esfregando as mãos de excitação.

maisdahmer


E agora?

12 dezembro, 2008

Viagem terminada, o que acontece com este blog?

Continua, é claro. A viagem nada mais era que uma pesquisa inicial que apontasse um norte para o nosso projeto. Já temos um norte. Nossa missão na Terra é:

Empurrar o mundo na direção de uma cultura mais livre.

“Empurrar na direção de” porque ninguém mais faz as coisas acontecerem sozinho. O máximo que dá para fazer é dar uma mãozinha. É colaborar. Colaboração, aliás, vai ser um conceito chave aqui.

“O mundo” porque ele está mudando, de um jeito quase cataclísmico. Olhe à sua volta: as tempestades, o crash da Bolsa, a eleição de Obama, a internet, o surto de criatividade jovem. Tudo está mudando, do clima à economia à arte à juventude. Neste processo de mudança tem um país que vai ter um papel chave: o Brasil. Muitas das respostas de que o mundo precisa virão daqui, até porque temos experiência com esse negócio de crise.

“Cultura” porque, nesse processo de mudança, o que vai mudar mais profundamente é o nosso jeito de pensar. A cultura humana precisa ser reinventada.

“Livre” porque é o que todo mundo quer: liberdade, independência. Chega de engravatados me vigiando. Queremos criar. Queremos inovar. Queremos fazer aquilo que queremos. E ninguém tem nada a ver com isso.

Nos próximos dias conto um pouco sobre nossa estratégia para atingir esse objetivo.


Goin’ Home

10 dezembro, 2008

Por um mês comemos poeira na estrada. Visitamos escritórios, apartamentos, museus, redações, um centro budista, uma comunidade científico-ambientalista, universidades e bares, muitos bares. Ouvimos todo tipo de sotaque, visitamos 9 estados, dormimos em albergues, pulgueiros deprimentes e alguns hotéis bem decentes. Comemos lula a dorê, raviolli com picanha, arroz de pequi, macaxeira com carne de sol, sanduíche de mortadela, filé a osvaldo aranha, kebab, kibeirute e testículos de peru. Passamos tempo em 10 cidades – Floripa, Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Campo Grande, Goiânia, Pirenópolis, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro – e saímos de cada uma delas, sem exceção, com a sensação de que alguma coisa grande está acontecendo por lá. Rodamos 7.000 quilômetros de carro e falamos com tanta gente que perdemos a conta. Ficamos impressionados com o tanto de idéia legal que cada uma dessas pessoas tinha para nos contar. Ficamos impressionados também com a generosidade com a qual TODO MUNDO repartiu essas idéias conosco.
Acabamos de tomar café da manhã. Agora é fechar as malas e voltar para casa. E aí o trabalho é nosso. Obrigado a todo mundo que nos ajudou a chegar até aqui. Se não sair uma revista incrível dessa história, podem nos culpar. Será incompetência nossa.


Vai melhorar

10 dezembro, 2008

Esta viagem está sendo incrivelmente inspiradora todos os dias. Mas ontem foi especial. Terminamos a terça animados, otimistas. O futuro vai ser bem legal, garanto. Quer ver por quê? Veja nossas 3 entrevistas de ontem:

> café da manhã na confeitaria Colombo do Forte de Copacabana, melhor sala de reunião do mês. Batemos um papo com o procurador público Pedro Fortes, 28 anos. Ele ficou contando da equipe jovem do Ministério Público, dos avanços sociais que eles já conseguiram e daqueles que ele espera conseguir, do foco deles em aumentar a transparência do Estado e o acesso a oportunidades para todo mundo. O Pedro acabou de voltar da Califórnia, onde estudou em Stanford e aprimorou sua visão do que um Estado pode ser. Ele está muito animado.

> almoço na linda Livraria da Travessa, no shopping em Leblon, com o Matheus. O Matheus tem só 20 anos e já dirigiu um longa metragem: Apenas o Fim, que ele fez durante as férias da faculdade de cinema quase sem grana nenhuma e faturou simplesmente os prêmios de público do Festival do Rio e da Mostra Internacional de SP. Moleque inteligente, divertido, sem um pingo de arrogância, aberto para tudo, sem preconceito nenhum. Rimos com ele por horas e ficamos admirados com sua maturidade. Ele pretende dirigir mais dois longas em 2009 (um deles será seu projeto de conclusão de curso)! Perguntamos quais os melhores filmes brasileiros da história. “Terra em Transe e Uma Escola Atrapalhada (do Renato Aragão)”. Ele é bom de frases de efeito.

> Aí nos mandamos para a Fundação Getúlio Vargas para falar com o Ronaldo Lemos, homem do Creative Commons no Brasil, ativista da cultura livre e diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS), que está estudando as revoluções tecnológicas do país. Falamos de rock (Ronaldo é também curador do Tim Festival), de technobrega (ele escreveu um livro sobre o assunto), do Overmundo (ele é um dos criadores desse site sensacional) e da situação privilegiada do Brasil com a crise mundial. “Não existe lugar no mundo melhor para se estar do que o Brasil hoje”. Aí, quando o sol se pôs, aceitamos o convite do pessoal do CTS para ir jogar Rock Band na casa de um deles.

Fomos dormir conscientes de que o mundo está mudando rápido demais e que isso é assustador. Mas que, se essas mudanças implicarem mesmo em uma sociedade mais justa e transparente, criadores jovens capazes de realizar coisas incríveis e videogames nos quais qualquer um pode se sentir um astro de rock, que elas venham. São bem vindas.


Belém por procuração

10 dezembro, 2008

Marcel Arede

Depois de horas sem fim de vôos e caos aéreo, estamos em Belém do Pará – o éden do tecnobrega, o reino das sorveterias de sabores impronunciáveis, o clímax da viagem, a terra prometida onde todas as peças do quebra-cabeça vão se encaixar.

É mentira, viu? Continuamos no Rio, sentindo que Belém foi uma (foi A) grande ausência da nossa jornada. Mas não podemos dizer que não descobrimos várias coisas sobre aquele muito longe lá no Norte, graças ao Marcel Arede (de azul na foto), que encontramos em Brasília. Ele é produtor cultural e organizador do Festival Se Rasgum, eventão de bandas indie que teva sua 3a edição agora em setembro.

Diz a lenda que o nome foi inspirado num puxador de uma quadrilha gay de Belém que ficava berrando “Vai, suas bicha! Dançum! SE RASGUM!”.  Diz se não é pra ganhar prêmio de melhor nome de festival de todos os tempos.

A imagem que o Marcel ajudou a compôr foi a de um paraíso (ou inferno) hedonista, onde reinam as aparelhagens, o ecstasy custa 5 reais e as festas não acabam nunca. Disse que “o Chimbinha é o cara mais inteligente que eu já conheci”, e revelou que tem MUITA música sertaneja na terra da Banda Calypso, graças à migração de gente do centro-oeste com a expansão do gado e da soja.

O Denis deve ter muito a acrescentar sobre o assunto, então eu passo a palavra.

Não fomos a Belém, mas falamos de lá quase todo dia da nossa viagem. É que todo mundo que foi voltou impressionado com o ritmo em que o mundo está mudando à beira da floresta. Cada entrevistado nosso contou um pouquinho. Temos uma certeza só: a de que Belém pode até não ter entrado na nossa viagem, mas certamente estará na nossa revista.


Mais malvados

9 dezembro, 2008

Tenho que colocar outra tirinha do André Dahmer, que resume boa parte das conversas que tivemos este mês, e talvez tenha bastante a ver com as conversas que virão depois.

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Acima, Dahmer e Gi no Boteco Salvação, em Botafogo. A gente é muito fã do cara, mas até que conseguimos disfarçar bem a tietagem.


Trabalho é trabalho

9 dezembro, 2008

Cansa. É duro. Imagine nossa rotina, tendo que bater papo o dia inteiro. Tem momentos em que é preciso até fazer mais. Tipo beber cerveja ou jogar sinuca, como tivemos que fazer hoje durante o expediente. Vai fazer o quê? Se nossa tarefa é encontrar pessoas legais, temos que ir aonde elas estão.
O papo foi com uma galera legal, de artistas, poetas, quadrinistas, atores, editores, gente que nos contou sobre assuntos incríveis, como as batidas de policiais do Mossad contra barbudos em Copacabana, o trabalho genial do Overmundo de descentralizar e democratizar cultura, as tendências sexuais do ex-presidente da Globo e a Barba Negra, nova editora de quadrinhos que está prestes a fazer seu debut.
Um dos caras lá era o André Dahmer, que faz os quadrinhos ácidos e inteligentes do Malvados. Roubei lá do site dele (com a melhor das intenções) a tira abaixo, só para dar uma amostrinha.
tirinha1227