Azucrinando

1 dezembro, 2008

Um grupo de designers e músicos de BH, cada um com seu emprego, se juntaram em 2007 e criaram um coletivo, o Azucrina. No começo a idéia era trabalhar juntos para clientes. Eles até fizeram umas coisas comerciais (bem legais), mas chegaram à conclusão de que o Azucrina não é um escritório. Não é um lugar para executar idéias dos outros, é para ter as próprias idéias. Hoje o Azucrina meio que evita trabalhos comerciais (embora eles não tenham nada contra ganhar dinheiro nem descartem a hipótese de que acabem criando algo legal que, no final, ganhe dinheiro). O negócio deles é ter idéias, doidas, e fazê-las acontecer com a ajuda uns dos outros. Como o Rotatória, um show de rock numa rotatória no meio de uma avenida que acaba quando a polícia chega. Ou essa sutil intervenção contra a sujeira na cidade na época de eleições aí do vídeo abaixo.

Adoramos a conversa e o pique dos caras. Todo mundo muito gente boa, muito generoso em repartir idéias e a fim de experimentar coisas. Mais um indício de que a lógica do mundo está mudando e já não pode ser explicada apenas pelas contas de mais e menos das planilhas de Excel.


O verdadeiramente positivo

18 novembro, 2008

O projeto_secreto recebeu uma dica de um leitor chamado Daniel. Ele deixou um comentário no blog sugerindo que procurássemos o lama Padma Samten, em Viamão, na beiradinha de Porto Alegre. Obrigado, Daniel, foi uma conversa sensacional.

Fomos ao centro budista na Estrada do Caminho do Meio esperando lições espirituais pouco conectadas com o mundo real. Surpresa. Acabamos falando de Obama, da crise econômica mundial, das deficiênias das revistas brasileiras, em especial da Veja, e do que está errado no mundo. O lama nos contou que muita gente acredita que o budismo prega o isolamento do mundo real, mas que há aí um grande engano: o que ele quer é interferir no mundo, mudá-lo.

Segundo ele, a Terra foi colonizada por alienígenas. Não, não ETs verdes antenudos. Ele estava falando de um pensamento alienígena: o pensamento econômico, que converte tudo em dinheiro e que está em conflito com a humanidade. A crise mundial, diz o lama, é conseqüência disso.

Como viver nesse mundo? “Precisamos localizar o que é verdadeiramente positivo e manter-se dentro dele na medida do possível de um jeito verdadeiramente positivo.” Engraçado como esse conselho soou parecido com coisas que ouvimos de outras pessoas por aí, inclusive de um cara que se considera ateu, o Pereira.

Aproveitei para pedir um conselho. Como criar uma revista diferente, fora da tal lógica alienígena? A resposta dele me deixou animado. “Façam o que estão fazendo. Conversem com as pessoas. Não pensem no benefício econômico. Pensem em servir as pessoas.”


Obama e a nova geração

10 novembro, 2008

Ontem o André postou sobre os sujeitos de 20 e tantos anos que turbinaram a campanha do Obama na internet. Até aí, não é uma grande surpresa: afinal, quem entende de internet são os jovens, não são?

Mas vê só: o Obama ficou famoso mesmo foi pela eloqüência, não foi? Pelos discursos empolgantes e inspiradores. Pois você sabe quem é que escreve esses discursos? Jon Favreau, 26 anos. Ele comanda uma equipe de três pessoas (um tem também 26 e o outro, tiozinho, tem 30). Se você estiver a fim de praticar o inglês, vê só a matéria no New York Times sobre ele.

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Esses caras elegeram Obama?

9 novembro, 2008

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Bom, no mínimo eles ajudaram bastante.

Chris Hughes (em pé) tem 24 anos e é co-fundador do Facebook. Joe Rospars também fundou pelo menos uma empresa pontocom e foi assessor do pré-candidato Howard Dean em 2004. Os dois são os responsáveis por coordenar a campanha online do Obama.

Detalhes no blog do Tiago Dória.


Mudança

9 novembro, 2008

Tomei café da manhã na sexta-feira com o mineiro Helder Araújo, que tem uma carreira impressionante. Formou-se em design no Brasil, foi estudar na Fabrica, lá na Itália, celeiro de talento e idéias inovadoras, trabalhou na espetacular revista Colors misturando imagem com antropologia, voltou para o Brasil, mudou-se para São Paulo e virou um profissional disputadíssimo. É contratado por grandes empresas, como Fiat e Adidas, para pensar inovadoramente por elas. O trabalho de Helder pode ser assim: viajar para a China, fotografar e entrevistar gente, fazer uma pesquisa monumental, voltar e desenhar o novo produto de uma empresa. Não é legal? O mais impressionante é que ele conseguiu isso tudo nos primeiros 30 e poucos anos de vida. Ou seja, tem uma longa vida produtiva pela frente.

Tivemos uma conversa longa e bem interessante na qual Helder me ajudou a entender melhor o processo de inovação. Ele contou dos planos dele para o futuro – entre eles lançar um site de organização de conteúdo chamado Spix, que já existe em versão fechada e atualmente está em busca de um investidor para, quem sabe, virar um site-fenômeno-internacional se as coisas derem certo. O cara realmente está sintonizado no futuro e tem um trabalho ambicioso, consistente e planejado.

Mas o que mais gostei de ouvir foi a parte em que o Helder me falou das insatisfações dele. Ele disse que decidiu trabalhar menos para empresas e mais para governos e organizações sociais. Ele quer usar o que ele sabe – seu olhar visionário e atento, seu espírito organizado e focado – para melhorar o mundo. E acha que o momento que estamos passando agora no Brasil e no mundo é o começo de uma transformação absurda na história da humanidade – o derretimento de Wall Street, a mobilização contra o aquecimento global e a eleição de Obama são algus sintomas disso.

Eu disse para ele que queria que ele, de alguma forma, nos ajudasse a pensar nossa nova “revista”. Ele ficou animado com a idéia.


Brinquedos

6 novembro, 2008

Uma coisa a gente já sabe sobre os adultos de hoje: eles continuam gostando de brinquedo. Sabem muito bem que esses objetos que alegram nossa vida não são só coisa de criança. O sucesso do toy art está aí pra provar isso, cada vez ganhando mais força (e custando mais caro). Os meus preferidos são os bonecos da Tokidoki.

O dos obamistas, deve ser esse aqui:

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E o seu?


Vamos todos virar manteiga?

5 novembro, 2008

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Começamos a nossa aventura conversando com os ciberativistas / ciclistas / educadores / programadores / malabaristas membros de um hacklab aqui em São Paulo.

E aí você pergunta: o que diabos é um hacklab?

Hacklabs são grupos que desenvolvem tecnologias de software livre e mídia alternativa como incentivo à cultura, educação e mudanças sociais. Esse hacklab ainda não tem um nome oficial, então eles aportuguesaram a expressão e se referem a eles mesmos como um raquilabi. Além de criar e administrar websites e oferecer soluções para vários tipos de clientes, eles são um dos grupos que ajudou a levar o software livre para o Ministério da Cultura, e estão envolvidos na ação Pontos de Cultura, incentivo a instituições por todo o país que fazem o conhecimento circular. Não é legal ter que resumir o que esses caras fazem, sozinhos ou em rede, em poucas linhas. Porque é muita coisa, e é coisa grande. Mas também não dá para segurar informação e não abrir o código, então confira os melhores momentos clicando em “ler o resto” aí embaixo. Ou gaste uns 5 minutos pra ver nosso vídeo no youtube.

Pintura: Churning Butter (1868), Jean-François Millet

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