Duas coisas

14 janeiro, 2009

Duas coisas:

1. Meu post da semana passada deu a impressão em algumas pessoas de que o projeto está parado. Nananina. Não é nada disso não. O projeto_secreto continua, bonitão. É só que as chances de ocorrer uma decisão agora sobre um grande lançamento são pequenas. A Abril está em compasso de espera, enquanto o tempo ruim financeiro não desanuvia. Enquanto isso, seguimos com o blog, polindo idéias e melhorando o projeto. Até acho bom: mais tempo para darmos solidez ao conceito. Não tem nada parado não.

capatar

2. Mencionei naquele post a revista tar, um título lindão americano sobre arte, lançado em outubro de 2008. Falei que tem algumas coisas nela que parecem muito com algumas das idéias com as quais temos trabalhado aqui. A tar é feita por um coletivo de gente talentosa e importante, a maioria da Nova York. A revista é  grossa como um livro, cheia de coisas inéditas, lindas e bem feitas. Ela é semestral e a idéia é que a revista seja só uma das muitas coisas que esse coletivo produz. Além disso, eles são um selo que vai lançar livros, filmes e sabe-se lá mais o quê.

Achei legal porque é a revista de um coletivo, e a história dos coletivos está no centro do nosso jeito de pensar. Também porque eles querem que a revista seja mais que uma revista: que seja um objeto de arte. Pensamos a mesma coisa. A outra coincidência é essa história de haver a revista e um selo. Nós também queremos criar um selo, que vai servir para dar voz a toda essa geração de gente talentosa. É legal ver que idéias parecidas com a nossa estão germinando por aí. Dá uma sensação de confirmação, de que tem mesmo um movimento na direção que estamos apontando. Já pedi para uma amiga me mandar a revista de Londres. Quando chegar aqui conto.

Anúncios

Lento janeiro

8 janeiro, 2009

O ano começou devagar aqui na Abril – aliás, começou devagar no mundo todo, acho. Tudo em compasso de espera, até que fique claro o quão fundo a economia do mundo vai naufragar. Resultado: nosso projeto provavelmente demora um tantinho até começar a virar algo concreto. Ninguém vai investir em algo novo agora.
Tudo bem. Ganho um tempinho para pulir detalhes, buscar referências, conversar com gente. E também para juntar argumentos que me ajudem a convencer a Abril de que a crise é uma baita oportunidade para nós (juro que acredito nisso). Vou contando tudo aqui no blog. Nos próximos posts, quero contar para vocês um pouco mais sobre nossa idéia, que está se tornando mais concreta. E quero também mostrar para você uma revista nova que surgiu nos EUA, a tar, que tem algumas semelhanças interessantes com nosso projeto (não na essência, mas no modelo).
Um bom 2009 para você, cheio de novidades.
abraço!


40 anos de Shonen Jump

15 dezembro, 2008

Todo mundo sabe que HQs – no celular, no iPod, no iPhone, na web e no bom e velho papel – são uma obsessão japonesa. E a verdade é que, até mesmo no Japão, nenhuma outra mídia conseguiu (ainda) substituir as revistas de antologia e os mangás em volumes encadernados.

A Weekly Shonen Jump, que completou 40 anos este ano, é a revista-mix mais famosa por lá, e é bem provável que seja a maior e mais importante publicação de quadrinhos do mundo. No seu auge, nos anos 90, a revista chegou a ter uma tiragem de 6 milhões de exemplares. Não, sério mesmo.

Antologias são a base do mercado de mangás no Japão. A maioria deles primeiro é serializada em pequenos capítulos semanais em publicações como a Shonen Jump, e só depois ganham versões encadernadas como as que saem no Brasil. Atualmente a Jump tem 20 títulos diferentes, incluindo alguns favoritos do ocidente, como One Piece, Bleach e Naruto. Séries históricas como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X e Slam Dunk já passaram pelas páginas da Jump, que até hoje mantém a espessura de uma lista telefônica, as páginas P&B em papel jornal e o custo-benefício absolutamente sem comparação.

Hoje a circulação da Jump está perto dos 3 milhões, bem menos do que em sua época áurea. Em 2002, a revista ganhou uma versão para o mercado norte-americano, lançada com enorme sucesso e que hoje mantém uma circulação cerca de 215 mil exemplares.

Mas por que diabos eu to falando de antologias de mangá aqui? Bom. Tem um bom motivo, e não é só o fato de que um dos meus sonhos secretos sempre foi editar uma versão brasileira da Jump, já que não tem nada parecido com mangá por aqui (pouco pretensioso). O formato de antologia não é estranho para o mercado brasileiro, vide a Pixel Magazine (que infelizmente pode estar com os dias contados) e a finada revista Vertigo, um dos títulos mais legais e admirados pelos fãs de HQs, que a própria Abril lançou por aqui nos anos 90 (a Abril já foi cool!).

Entre os indies, então, antologias são quase regra. Algumas dos melhores artistas nacionais publicam na Front, na Jukebox, na Graffiti e na Ragú, cujo QG nós visitamos lá em Recife. Mas as antologias brasileiras dificilmente trazem histórias serializadas, até porque a periodicidade (bimestral, trimestral, publica quando dá) não permite.

A pergunta, afinal, é a seguinte: será que uma revista mensal de grande circulação, como a que nós do Projeto Secreto queremos criar, poderia abrir espaço para quadrinhos serializados e, guardadas as proporções, assumir o papel de uma mini-Shonen Jump brasileira?


Arqueologia: o número 1 da Wired

6 novembro, 2008

Quase 16 anos atrás, em fevereiro de 1993, a edição 1.1 da revista Wired chegou às bancas, falando de cultura na era digital numa época em que quase ninguém sabia o que era internet e a World Wide Web nem tinha sido inaugurada direito.

O Fimoculous.com faz uma revisão meticulosa da edição inaugural, incluindo os anúncios. Link.